sobre os foto-esquemas

Certos momentos refletem muito além do instante. Os olhos não param. Acreditamos demais em nossos olhos. Mas eles apenas nos trazem o que querem. Uma verdade cognitiva encontrada em imagens de um tempo outrora registrado.

O lúdico passa a pertencer ao real. Ao menos por um instante. Como o ato fotográfico que nos faz acreditar em sua realidade temporal, efêmera como a verdade que traz consigo. Desacreditada pela era digital a imagem não encontra mais a verdade absoluta.  Máquinas enxergam geometricamente , nós não. Sequer precisamos de uma imagem por inteiro.

Em meu foto-esquema, colo pedaços visuais, construo o real tal qual o irreal. Não tenho comigo a função de ludibriar, não trago o compromisso da verdade  do realismo, nem os sonhos do surreal. Quero provar a ilusão do hiper-realismo banal. Somos pixels. Somos imagens. E assim precisamos dizer para nós mesmos que somos algo. Algo percebido. Algo enxergado.  Uma descoberta em meio a tanta informação.

Trato a foto como pintura. Uma pintura tecnológica que não utiliza tecnologia. Apenas se modifica para ser percebida. Quero ser um pixel, apenas um, pois este não se altera, não tem dimensão, um pixel constrói uma imagem. Pensando bem não quero ser um pixel. Quero ser um vetor ampliado ao horizonte fictício da arte onde estou preso. Ultrapassar a fronteira da falsa percepção e descobrir a real importância pictórica.

Ricardo Marques